Não é que o teu conteúdo seja mau. É que as pessoas vão-se embora antes de chegar à parte boa. O que faz mexer o ponteiro é prender no segundo zero e deixar de publicar por publicar.
Já te aconteceu: gravas um reel, pões-lhe empenho, publica-lo... e 80 visualizações. E pensas «isto não é para mim, o conteúdo não funciona no meu setor». Quase nunca é isso. O problema não está no que contas, está em que as pessoas se vão embora antes de começares a contá-lo.
Disse-mo um cliente com uma pastelaria excelente: «Pedro, faço vídeos lindíssimos e não os vê ninguém». Pedi-lhe os três últimos. Os três começavam igual: «Olá! Bem, hoje queria mostrar-vos uma coisinha que...». Quando chegava a coisinha, já se tinha ido meio mundo. E o algoritmo, ao ver que as pessoas se vão no primeiro segundo, deixa de o mostrar. A pescadinha de rabo na boca.
Esta é a ideia que mais resultados dá e a que mais custa aplicar, porque vai contra a boa educação que temos. Queremos cumprimentar, apresentar-nos, dar contexto. E nas redes isso é justamente o que afunda o vídeo.
A regra mental é simples: se num segundo não percebem do que se trata e porque lhes interessa, vão-se embora. Não te estão a dar dois minutos de cortesia, dão-te um. Usa-o bem.
O outro grande erro é o contrário: publicar por publicar. «É que dizem que é preciso publicar todos os dias». Vão dizer-te muitas coisas. Publicar enchimento não ajuda; ensina o algoritmo a mostrar-te menos, porque as pessoas não ficam no que não lhes acrescenta nada.
Antes de publicar algo, faz-te uma só pergunta: «isto alguém guardaria ou partilharia?». Se a resposta é não, deixa estar. Escolhe uma ideia útil, conta-a bem e repete-a com constância. O algoritmo premeia que as pessoas fiquem e reajam. Três reels por mês que se guardam valem mais do que trinta que passam ao lado, e já agora tiras de cima o sufoco da roda diária, que é o que mais esgota quem gere o seu negócio e ainda por cima as suas redes.
Começar do zero de cada vez é esgotante, e não é preciso. Há moldes que já estão testados, e apoiares-te neles não é copiar: é não reinventar a roda. A chave está em separar o molde do conteúdo.
A ideia continua a ser tua e o formato está testado. Assim não partes do zero nem apostas às cegas de cada vez.
Uma última nota que vale para os reels e para tudo o resto: deixa os tecnicismos e usa as palavras que o teu cliente usa. De onde as tiras? De como te escreve por WhatsApp e das tuas avaliações. Aí está a linguagem real das tuas pessoas. Se os teus clientes dizem «um site simples que se veja bem no telemóvel» e tu escreves «design responsivo otimizado», estás a falar sozinho. Quem liga, retém; quem soa a folheto, aborrece.
Se ao entrar o teu site não prende nem deixa claro o que fazes, a visita vai-se embora tal como num reel. Diz-nos a tua ligação e contamos-te o que a trava e por onde começar.
Pede a tua radiografia ↗Dizes-nos o que queres alcançar e dizemos-te por onde começar, sem compromisso.